Breve história de Portugal

A pintura, considerada a obra-prima do pintor espanhol José Madrazo, representa a morte de Viriato, o líder lusitano traiçoeiramente assassinado no ano 139 a. C. por vários de seus homens e, possivelmente, com a aprovação ou a participação no crime dos romanos, que lutaram contra o caudilho

Portugal tem uma história muito rica e anterior à sua fundação em 1139. Desde o ano 2000 a.C. que Portugal foi invadido por Celtas e por Iberos. Quando Roma derrotou os cartagineses nas Guerras Púnicas em 216 a.c. e ocupou toda a Península Ibérica, a única região que resistiu foi a região que atualmente corresponde a Portugal . Este pedaço da Península Ibérica era povoado pelos Lusitanos, um povo aguerrido e cioso da sua independência e liberdade. Viriato foi derrotado em 139 a.C.. A região onde ocorreu a revolta de Viriato ficou conhecida como Lusitânia. Lusitânia viveu em estabilidade durante quatro séculos enquanto esteve ocupada pelos Romanos, e posteriormente foi invadida e ocupada por Visigodos e Suevos.

Invasão muçulmana da península Ibérica
Desenho do livro Las Glorias Nacionales (1852) representando a Batalha de Guadalete (711), que marcou o início da invasão islâmica da península Ibérica

Portugal foi ocupado de seguida, pelos árabes. Os muçulmanos derrotaram os visigodos em 711 e a maior parte da Península Ibérica tornou-se um califado Omíada. Em 756 Abd al-Rahman criou o reino do Al-Andalus com capital em Córdova, que se viria a tornar um dos grandes centros da cultura mundiais. A ocupação árabe da Península Ibérica permaneceu estável nos 300 anos seguintes. A partir desta data existe uma reacção dos reinos cristãos do Norte da Ibéria. Como locais de destaque onde se pode ver a presença muçulmana em Portugal temos Lisboa, Sintra, Mértola, Faro e Silves, entre muitos outros. Começa a Reconquista Cristã.

D Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal
Estátua de D Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal em 1139

A reconquista cristã no território português iniciou-se com a independência de Portucale em 1139 após a derrota dos mouros na batalha de Ourique contra D Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. Esta reconquista dura durou até 1249 quando D Afonso III conquistou a cidade de Faro no Algarve. O rei seguinte, D Dinis incentivou a agricultura e o comércio, tendo recebido o cognome de “o Lavrador”. O rei português D Dinis construiu castelos para defender a fronteira de um ataque de Castela, nome da actual Espanha, e promoveu o crescimento da marinha. As guerras com Castela atingiram uma gravidade extrema em 1383 com a morte do rei D Fernando, tendo durado até 1385, tendo incluído um cerco naval a Lisboa.

Batalha de Aljubarrota a 14 de agosto de 1385
Batalha de Aljubarrota a 14 de agosto de 1385 entre tropas portuguesas com aliados ingleses contra o exército castelhano e seus aliados

Após a morte de D Fernando em 1383 e com a revolução de 1383-1385, sobe ao trono D João I e começa a Segunda Dinastia de Portugal. É nesta segunda dinastia que se inicia a idade dourada do país. Os filhos de D João I começam a expandir o império português, merecendo especial destaque o Infante D Henrique. Este período áureo da história de Portugal começa em 1415 com a conquista de Ceuta em Marrocos. Seguiram-se expedições marítimas pela costa africana com o objectivo de combater o Islão e de obter lucro comercial. O comércio de ouro e de escravos deu muito lucro, mas o verdadeiro apogeu português veio com a chegada de Vasco da Gama à Índia em 1498. Passado pouco tempo Portugal controlava o oceano Índico e o comércio das especiarias, estabelecendo capital em Goa na Índia. Com a descoberta do Brasil em 1500 por Pedro Álvares Cabral Portugal tornou-se uma superpotência comercial rivalizada apenas por Espanha.

Portugal teve este domínio comercial até à ocupação espanhola de 1580. A perda de soberania durou até 1640, quando D João IV restaurou a independência. Este declínio conheceu uma recuperação com o ouro do Brasil durante o reinado de D João V. Após este reinado surge D José e o seu secretário de Estado Marquês de Pombal. O Marquês de Pombal presenciou o terramoto de Lisboa de 1755. Após este acontecimento, resolveu aplicar as ideias do Iluminismo, reformando o governo, o comércio (com destaque para o vinho), a educação e a arquitetura (com destaque para Lisboa). Estes avanços foram anulados com a subida ao trono de D Maria I em 1777. A invasão napoleónica de 1807 levou D Maria I a e sua corte a fugir para o Brasil.

Portugal foi devastado pelas três invasões napoleónicas e com a Guerra Peninsular. Este período caótico acabou em 1832 com a guerra civil entre o liberal D Pedro IV e o absolutista D Miguel, sendo este derrotado. A segunda metade do século XIX foi um período de estabilidade política e crescimento e crescimento industrial. Portugal tentou expandir em África, mas falhou sempre. A monarquia portuguesa entrou em declínio e viveu as vésperas do seu fim com a morte do rei D Carlos em 1908. Passados dois anos, em 1910, Portugal viu ser implantada a República e o último rei de D Manuel II ser exilado.

A Primeira República nunca se conseguiu impor e teve sempre muita instabilidade política e económica, levando a um golpe militar em 1926 que abriu caminho à ditadura do Estado Novo. Sob o regime ditatorial de António Oliveira de Salazar (1933-1974), Portugal pagou todas as suas dívidas, mas sofreu pobreza e desemprego. A dependência do país das colónias africanas, com Angola e Moçambique à cabeça, levou à Guerra Colonial que durou treze anos e teve efeitos devastadores no regime e na população portuguesa. Esta guerra levou à queda do regime e à implantação da actual República Democrática em 25 de Abril de 1974. A transição para a democracia só terminou quando Portugal aderiu à Comunidade Económica Europeia em 1986.


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